Tecnologias

02/10/2008 (14h10) - Atualizada em 02/10/2008 (14h10)

Pesquisadora da Embrapa lança artigo sobre caprinocultura


Nos últimos anos a caprino-ovinocultura tem assumindo um importante papel no contexto do agronegócio do Brasil, expandindo-se no cenário rural do Nordeste como uma alternativa econômica. Tradicionalmente, a atividade era exclusivamente de subsistência, estando fortemente ligada cultura da população rural, notadamente no Piauí. Com o novo enfoque, a caprino-ovinocultura pode se tornar uma grande aliada do semi-árido, combatendo a fome, as desigualdades sociais e a pobreza.


No entanto, o nível de produtividade alcançado pelos produtores de grande parte do Nordeste ainda é baixo, o que dificulta a articulação com o mercado e demais segmentos da cadeia produtiva. A baixa oferta de carne de caprinos e ovinos tem dificultado a competitividade e remuneração dos produtores e empresários que tentam tornar esta atividade seu principal foco de renda.


Visando contribuir para que os pequenos produtores possam ter uma expectativa de renda e, conseqüentemente, organizar com maior eficiência a atividade, a Embrapa Meio-Norte realizou a montagem de um programa contendo algumas informações básicas úteis ao produtor que deseja desenvolver a atividade com vista a planejar suas despesas e receitas.


O programa pode ajudar a dimensionar o rebanho caprino com o objetivo de abate, partindo de uma receita bruta mensal pretendida. No exemplo desenvolvido a seguir, foi tomada uma expectativa de renda mensal de R$ 1.050,00. Para obter esta renda mensal, considerando pelo nível de organização precário do produtor do Nordeste, estabeleceu-se um lote anual de venda, com uma renda mínima bruta de R$ 12.600,00.


Os gastos anuais serão desconsiderados neste planejamento para simplificação. Para obter esta renda mínima bruta pretendida, será necessária a venda de 229 cabritos terminados ao ano, com peso vivo médio de 22 kg. O preço médio de mercado de carne de pequenos ruminantes no Piauí é R$ 2,50/ kg de peso vivo.


Considerando uma mortalidade de 15% entre as crias, e 1,2 crias nascidas/ano /matriz, para atingir este número de cabritos terminados ao ano, será necessário um plantel de 231 matrizes em idade reprodutiva. Considerando a razão macho:fêmea para cobertura natural a campo, serão necessários nove reprodutores. Para planejamento de áreas de pastagem, chegamos a um rebanho total composto de 517 cabeças ou de 62,7 UA (unidade animal). Cada caprino adulto corresponde em média a 0,14 UA, e cada jovem a 0,11UA.


Uma das partes mais importante da organização de um sistema com renda pretendida é o planejamento das áreas de pastagem para os animais. Para pastagem, pode-se optar, no nosso exemplo, por 100 ha de pastagem nativa (0,3 UA/ha), dois ha de pasto cultivado (5 UA/ha) e quatro ha de área irrigada, diversificada com capineira (7 UA/ha) e banco de proteína (5 UA/ha).


Estas três opções (pasto nativo, pasto cultivado e área irrigada) podem variar um pouco de acordo com a estrutura disponível, mas sempre ajustada para o número de UA a ser mantido. Além disso, para a terminação dos caprinos, preconiza-se uma área cultivada de dois ha de milho/sorgo, que fornecerá 60.000 kg de matéria verde para os 229 cabritos por um período de 120 dias. O fornecimento previsto será de 45 kg/UA/dia.


Com base no cálculo de UA e dimensionamento do rebanho, é possível também planejar as necessidades de infra-estrutura. Um centro de manejo para caprinos (aprisco) com 414 m2 de área coberta (0,8 m2/animal) será necessário a este programa, bem como 5.642 L/dia  de água disponível para consumo animal.


Os indicadores zootécnicos e outros subsídios para entender melhor o sistema de produção proposto, podem ser obtidos no Comunicado Técnico 187, da Embrapa Meio-Norte, disponível na página da Unidade na internet, cujo endereço é: http://www.cpamn.embrapa.br/.


Por Adriana Mello de Araújo


Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte


Fonte: Embrapa Meio Norte