A guerra envolvendo o Irã desencadeou uma nova disparada no preço dos fertilizantes, a segunda em menos de quatro anos. Desta vez, o impacto é ainda mais preocupante. Diferente de 2022, quando os preços dos grãos estavam altos, o cenário atual combina insumos caros com commodities desvalorizadas, reduzindo a margem dos produtores e colocando em risco a produção global de alimentos.
O Oriente Médio tem papel central nesse mercado e o conflito atingiu diretamente a logística. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de fertilizantes, teve operações comprometidas. Com isso, houve interrupção no fornecimento de ureia, além de restrições na oferta de enxofre e amônia, matérias primas essenciais para a produção agrícola.
A escassez já começa a aparecer nos números. Cerca de 3 por cento do comércio global de ureia foi afetado, enquanto milhões de toneladas seguem paradas sem conseguir chegar ao destino. Países como a Índia ainda conseguem comprar, mas pagando quase o dobro. Para muitos produtores, especialmente em países mais pobres, o custo simplesmente se tornou inviável.
Diante desse cenário, agricultores ao redor do mundo começam a reduzir o uso de fertilizantes ou até mudar o que vão plantar. Na Austrália, a área de trigo deve cair, enquanto no Brasil há expectativa de uso menor de insumos. O risco maior, porém, está no médio prazo. Organismos internacionais já alertam para queda nas próximas safras e aumento da insegurança alimentar, especialmente em regiões mais vulneráveis.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se